Fevereiro 2007


Logo que cheguei à ilha, pra dizer a verdade, depois de um ano de ilha, resolvi aprender a mergulhar com cilindro, o mergulho de garrafa como a maioria conhece e pensa que é oxigênio que tem dentro. Na realidade é ar comprimido, claro que tem um percentual de oxigênio também. Mas o oxigênio puro não é benéfico se respirar depois dos três metros de profundidade.

Mas vamos a historia; resolvi aprender a mergulhar, e toda vez que o barco da Águas Claras, (na época a única empresa de mergulho na ilha), ia para o mar levando turistas para o mergulho com cilindro, eu ia com a galera e vez ou outra pintava uma oportunidade de descer, (mergulhar) com algum amigo. Primeiro eram os turistas e se sobrasse uma garrafa cheia ou pela metade eu aproveitava e dava um mergulho. No primeiro dia fui muito legal, eu já macaco velho no mar em ter tido “experiênciado” toda minha infância e adolescência na beira mar de Olinda - PE Mas mergulhar com cilindro é outra coisa, é a possibilidade de você retornar a respirar num meio liquido, e sabe o que isso significa? Retornar as sensações uterinas. Escreverei sobre isso em outro tópico. Mas vamos lá. O segundo mergulho, “ah o segundo mergulho!”. Durante a operação com os turistas, um deles resolveu abortar o mergulho pela metade, e o Rony falou pra mim, - se equipa que vamos descer mais uma vez. Equipei-me, e esperei ele se equipar também. Minha garrafa estava pela metade. Então descemos, eu, Rony e Hayrton que também estava em curso de mergulho. O descer foi fácil, e respirar também, eu não tinha lá essas dificuldades todas, o importante era viver essa experiência para poder trabalhar com mergulho ganhar uma graninha, pois não havia outra opção para eu ganhar grana, ou cantando ou mergulhando. Em determinado momento o Rony passa por um buraco e o Hayrton segue e eu vou também seguindo. Só que como meu cilindro estava pela metade eu estava com tendência de flutuação positiva, ou seja; subindo. E ao passar pelo buraco a torneira enganchou na borda e eu fiquei sem poder ir em frente. Isso fez com que eu respirasse mais rapidamente tornando assim meus pulmões mais cheios e consequentemente mais leve meu corpo ficava e a cada vez, mas difícil de sair dessa. Pensei em tirar o colete e subir, mas graças a Deus não foi possível. Se assim o fizesse eu tinha em mente prender o ar nos pulmões e de uma vez só subir até o nível do mar, mas seria meu fim, pois o ar comprimido preso ao subir iria se expandindo e poderia estourar meus pulmões ou mesmo provocar uma embolia gasosa, e o final seria trágico. Pra frente não dava, pra trás também, gritar não era o caso, bater no cilindro com alguma coisa para fazer som e assim chamar meus amigos não adiantaria, pois não tinha ângulo. E agora? Perguntei a mi mesmo. E a resposta foi que tinha chegado a minha hora. Lembro-me que olhava o manômetro e via cada vez mais o ponteiro ir à direção da zona vermelha, é uma marcação que quer dizer que ta na hora de subir. De repente um Saberé ou Sargentinho, como queira chamar, trata se de um peixinho com listras amarelas e pretas que existem em todo nosso litoral, e muito em Noronha. Um aparece bem em frente aos meus olhos e me diz. – Cadê toda a sua tecnologia? O que você pensa agora? E eu me senti impotente diante aquele peixinho e aquele marzão. Nesse momento a gente não tem a noção de tempo – espaço. Tudo é ao mesmo tempo agora. Eu me vi criança, vi meus pais, irmãos, repensei toda a vida. Não vi nenhum túnel, luz, nem figuras do céu, essas coisas que vêem no leito de morte, eu apenas refletia muito e cheguei a acreditar que esse seria meu fim, mas é impressionante o quanto a gente não sabe um milésimo de segundo sobre o futuro. Nem mesmo ali naquela situação eu poderia afirmar que seria minha passagem, pois isso só a Deus é permitido. Eu imaginava como morrer, não queria ficar esperneando com a presença de água dentro dos pulmões, preferia inspirar e prender o ar até desmaiar. Mas isso foge ao nosso querer, pois o ato dos pulmões inspirarem e expirar se da ao fato do ar ali contido estar queimado ou não. Quando a energia do ar que inspiramos é absorvida pelo corpo os pulmões o expelem para troca de um novo ar. Mas fui me deixando ir, aceitei o fato de encerrar minha jornada ali e me sentia feliz de ser assim. Bom, o fato é que não foi dessa vez. A respiração foi ficando cadê vez mais pesada, o cilindro já estava quase vazio, e eu numa tranqüilidade absoluta, esperando a hora. Já nem me lembrava que tinha mergulhado com amigos, aliás, nem me lembrava que tinha mergulhado. E de repente, não mais que de repente eu sinto uma força me empurrando para baixo e fazendo-me sair do engasgo. Era o Rony, olhei para ele bem calmo e fiz o sinal que estava sem ar, “que é passando a mão por sobre o pescoço como quem se degola”, e ele com um outro sinal mandando me subir, “que é a mão sinalizando legal, com o polegar para cima”. Eu repetia o mesmo sinal e ele repetia o mesmo também ate chegarmos ao nível do mar. E ao tirar minha mascara de mergulho e o regulador da boca eu coloquei todo o ar que havia sobre o mar pra dentro de mim, e gritei para o Rony, Filho da Puta, eu num disse que precisava de ar pôrra!!!! E ele falou bem tranquilamente, - é que o Randal* falou que mesmo acabando o ar nos pulmões, ao subir existe uma reserva que vai expandindo, e eu queria testar isso com você. É claro que não fiquei zangado com ele, e graças ao Rony hoje eu mergulho em Noronha sem um mínimo medo de faltar ar, desde que seja mergulho de até no máximo 17 metros.

*Randal Fonseca, Um dos melhores mergulhadores do mundo, e proprietário da primeira empresa de mergulhos em Noronha.

          Recentemente colocaram na menor BR do Brasil, a de Noronha, aquelas tartaruguinhas que reduzem a velocidade. O que é uma boa idéia da PM ter pedido ao Detran. Interessante é que alguns motoristas passavam pelo acostamento para não reduzir a velocidade, logo logo o pessoal do Detran percebeu e colocou também no acostamento. Um dia eu percebi que um carro que estava à minha frente ao ir de encontro com os redutores ele desviou pelo acostamento mesmo também tendo lá os redutores de velocidade. Moral da história? Alguns seres humanos persistem no erro, pois já não era o problema do redutor se chocando com o pneu, mas sim não querer se educar.

Lembro me quando criança assisti um filme de faroeste onde um bandido arrastava o mocinho puxado por um cavalo pelas estradas de areia e pedras da cidade. Aquilo me deixou com uma dor incrível dentro de mim, e era essa a intenção do filme, tudo isso para que no final o mocinho se vingasse e assim terminava o filme. Se isso na tela grande era difícil de engolir imagine na vida real? Nossa moral esta sendo arrastada pelos bandidos em plena luz do dia, se é que esse dia tem luz. Até quando a gente vê e não podemos fazer nada? Não podemos??? Imagine se:

1 - As redes de TV arrastasse seus programas por uma semana fora do ar.

2 - Nos arrastassemos a data da declaração do Imposto de renda por um tempo indeterminado até sentirmos uma solução das autoridades

3 - Os cinemas arrastassem suas sessões por dois meses.

Bom acho que deveríamos expor as pessoas que cuidam dos Direitos Humanos aqui no Brasil mesmo e desse um microfone e deixassemos a inteligência delas nos determinar o que fazer. O interessante é que se esquecermos de colocar o cinto de segurança a multa é inevitável, existem vários olhos que exergarão isso rapidinho, por isso já o colocamos automaticamente. Porque a lei age rápida e pode tirar ponto na carteira. Porque não podermos tirar pontos dos deputados, senadores, etc. Me lembro que o Gustavo Krause quando era Ministro de Meio Ambiente mandou fazer todos os cartazes sobre o Brasil com S, para que os outros aprendessem a escrever o nome do nosso país como é na real. É meu irmão Krause, acho que do jeito que anda as coisas o Brasil volta o Z de zona total.

 

      Existem coisas que não se pode deixar de ver e conhecer em Noronha, entre elas o Bar do Duda Rei. Duda, meu amigo há mais de dez anos, desde quando ele residia na (Quixaba), umas das localidades da ilha. Hoje ele reside na Praia da Conceição e depois de muito trabalho e luta fez o seu Bar, onde toda noite de lua cheia ele faz um lual que já é parte da noite de noronha. As sextas-feira rola um rodízio de comida japonesa, altos sushis e sashimis até umas horas.