A IMPORTÂNCIA DO FUSÍVEL

 

 

05h00min – Preparo para encontrar o pessoal do MC Cometas do Asfalto. Moto abastecida, carga bem segura, e saímos as 05h30min. Nos das Custom saímos na frente e logo depois as esportivas. Chuvinha fina, dia amanhecendo e la vamos nos rumo a Paulo Afonso para o Moto Energia 10 anos. Primeira parada pouco antes da cidade de Caruaru, tomamos o café da manhã e partimos. A chuva já nos tinha liberado e o velocímetro marcava seus 120 KM/h. Estrada dupla até a cidade de São Caetano no estado de Pernambuco ainda. O frio era bom, para nós aqui do nordeste era MARAVILHOSO. Logo depois deixamos a BR 232 e pegamos a esquerda a BR 423 o rumo agora era Garanhuns-PE, umas das cidades do frio pernambucano e onde é realizado o Festival de Inverno, onde músicos e bandas famosas se apresentam todos os anos no mês de junho. Ao chegarmos em Garanhuns fomos recepcionado por uma das  Concessionárias da Honda, uma água para hidratar e uma gasolina para as motos, em especial as Custom pela sua inevitável autonomia e partimos, desta vez o rumo era a cidade de Águas Belas PE, faltando pouco para alcançar a divisa com Alagoas. O tempo mostrava algumas nuvens escuras mas sem previsão de chuvas, apenas aquele friozinho  que fez  os pneus agradeceram. Adentramos o estado das Alagoas, e chegamos em Águas Belas, abastecemos e fomos a casa de um Sr que é pai de uma das nossas amigas do MC Cometas dos Asfaltos, lá foi um recepção muito calorosa, todas as motos em frente a casa dele e ele nos ofereceu um lanche de alto nível. Queijo de manteiga, queijo de coalho, Bolos, sanduíches, Paes, salada de frutas, café com leite, e mais comidas, por mim a festa ficaria ali mesma, mas… o ponto final era Paulo Afonso e depois de uns 40 minutos partimos. Quando já ouvindo na minha cabeça os sons das cachoeiras de Paulo Afonso, pois a CHESF a pedido do Prefeito e do evento abriu as comportas para que os visitantes pudessem apreciar as maravilhas da natureza em forma de cachoeiras, que moral o evento em? Bom, mas vamos relatar mais, afinal o que tem haver com fusíveis tudo isso?  Antes do KM 40 nas coordenadas (  ), na minha frente passa uma moto esportiva e percebi que a mochila da garupa estava aberta e largando pela estrada, roupas, carteira, em fim, o que se leva em mochilas, eu comecei a buzinar freneticamente, a buzina da minha virago 1100 é uma daquelas de ar comprimido, mas???? O cara a mil e eu atrás que disse que ele  ouvia? De tanto tentar e outra moto também cortou ele e fez sinal e ele foi para o acostamento. Nesse mesmo instante vejo que a buzina estava ficando rouca, eu sabia que não era pelo esforço das cordas vocais, pois eu como artista, (cantos e compositor) sei que se uma pessoa começar a gritar muito ela ficara rouca naturalmente, mas a buzina da moto? O que acontecera? Vi também que à medida que buzinava o conta giros da moto oscilava, estranho né? E de repente a moto faltou som e imagem, e no mesmo instante como também tava encostando no acostamento e via que o coração dela parou. Meu deus? Enfarto elétrico do motocardio ??? E parando em seguida o Wilson do MC Cometas do Asfalto e o Sóstenes do MC Anjos de Quatro Patas, e mais outros amigos. E aí vem os diagnósticos: Foi a gasolina, ou seria a bateria, quem sabe o retificador, e minha cabeça rodava, em desalegria com minha Virago, o que seria que ela queria me apresentar? Pega ferramentas, tira a bateria e vê que esta sem água, mas… uma pessoa tinha me falado que essa bateria não pegava água era blindada, mas tinha os locais para abrir e colocar, e um falou, claro que leva água, mas onde arranjar água, vamos colocar mineral mesmo. Nessa hora quem não saca nada (como eu, ainda) fica escravo das idéias dos outros que ao meu ver são mais antigos e devo respeita los por ordem dos tempos. Mas nada de solucionar o problema. A moto não queria papo com energia elétrica, e resolvemos empurrar, força, ela pesa muito e com o tanque ainda mais da metade e carga, a moto pegava soluçando, como se estivesse apenas um piston na ativa, imagina minha cara ao pensar no meu bolso?? Mais a força para se mover pelo motor era quase nula, soluçava, pulava e andava bem devagar, cheguei a me lembrar das velocidades baianas, devagar, devagarzinho e Dorival Caymmi, pois é, a moto ia nessa  velocidade. Começava a chover, aquela chuva tipo nem molha nem para mas, encharca. Solução? Ir até Paulo Afonso e tentar um reboque. Minha companheira ficou numa casa em frente e lá vai eu na moto do Sóstenes do MC Anjos de Quatro Patas, ele me confessou (depois no evento)  que nunca levara nenhum na garupa por não ter essa habilidade, motivo pelo qual ele não viajara com sua companheira. E a chuva começava a querer me avisar que existia. Estava mos a 70 km da cidade de  Paulo Afonso, na metade do caminho paramos em um posto para saber se tinha algum reboque, e o frentista falou que “temos não, hoje é feriado” dia do trabalho, e que trabalho!!! Ao descer da Virago do Sóstenes deu um começo de câimbra e eu fui ao chão, e caí de costas batendo com o capacete,(vejo como é importante o capacete) caí sozinho, descendo da moto, mas se não tivesse usando o mesmo!!!. Não tinha reboque, troquei de moto por instinto, pois não queria prender mais meu amigo, apesar de eu saber que ele faria tudo que fosse possível, mas subi na F 750 do Wilson MC Cometas do Asfalto, e la vai velocidade até Paulo Afonso. A chuva continua, o céu todo cinzento, a tarde se despedindo do dia. Ao entrar na cidade, aquela maravilha de cenário, muita água, pontes, cânion,  e eu a pensar na minha companheira que ficara lá, mas sei que ela é desenrolada nessas horas. Ao entrar no evento fomos ao local de inscrição e falei do problema, fui atendido por Urubu, um dos MC Cavalo Doido, ele me falou, não se preocupe, ta resolvido seu problema, temos reboque, e mecânico a disposição 24 horas. Maravilha, que atendimento. Ele fez algumas ligações e depois de vinte minutos eu estava conversando com João Flor, o proprietário de um reboque e o mesmo já chamou seu fiel amigo, o Lopes. E Lopes me fala, – me aguarda quinze minutos que te apanho ali, indicando uma sombra de uma arvore numa praça ao lado do evento. Espero quinze, vinte, quarenta minutos e chega ele num gol com o reboque atrelado. Passamos no posto e abastecemos o veiculo, sessenta reais de gasolina. E zarpamos, já escuro paramos ao lado da moto e logo minha companheira acenou com e se despediu da família que estava apoiando ela, Sr. Renato, sua companheira e duas filhinhas. Empurramos a moto para subir no reboque, prendemos e saímos, graças a Deus, pelo menos minhas companheiras estavam comigo já, me refiro a mulher e a moto. Andamos poucos quilômetros, pouquinho mesmo e o Lopes falou, acho que o pneu ta estranho e parou para observar o mesmo. Advinha o que aconteceu??? Pneu baixou, abrimos a mala traseira, retiramos duas caixas de som que era quase do tamanho da minha Virago 1100 e pegamos o pneu. Mas na maré que eu tava advinha o que aconteceu? Já sacou né? Pois é, o pneu estepe estava murchinho da Silva Xavier. O que fazer?? Minha companheira fala, coloca o do reboque no carro e esse murcho no reboque, pois é mais leve. Fiquei até impressionado com tamanha inteligência da milha companheira, eu nem o Lopes pensava mos nisso, Salve as Mulheres!!!. Fomos trocar e o que acontece??? Cadê as chaves de roda? O parafuso do reboque não queria papo com a chave que ele tinha e a sorte é que eu tenho uma chave tipo inglesa que deu para solucionar o problema. Trocamos tudo, sorrisos nos rostos e partimos, andamos um pouso e pneu do reboque, que era do carro não agüentou e esfarelou no sentido mais amplo da palavra, tratava se de um pneu coberto e já estava ressecado por dentro. Não quero por isso tudo desmerecer o reboque, pois sem o mesmo acho que ainda estaria em Paulo Afonso. Como paramos ao lado de um posto, pois rodamos com o o pneu murcho até ficar num local mais seguro, motivo esse que fez o pneu esfarelar se. Na frente do posto tinha uma borracharia, se é que aquilo poderia ser chamado de tal. O rapaz tirou o pneu da roda e vimos que a câmera de ar estava com 6 furos, e não tinha o aro correspondente para vender, pois o Lopes até pensou em comprar um pneu. Mas não tinha o aro referente, em fim ? o que é um “peido” para quem ta todo cagado? Solução era telefonar para João Flor e pedir para que outro carro trouxesse um pneu. O que ele prontamente fez, falou com o Telos, é esse é o nome do rapaz mesmo, é Telos pegou o carro e veio até onde estava nós. Sujeito inoxidável, ficamos amigos. Bom ele chegou depois de algumas horas, (risos) imagino que vocês estão rindo também. E finamente trocamos o pneu, ele trouxe dois pneus completos mas como já era tarde achamos melhor ir logo para Paulo Afonso. Pois ainda tinha a Barraca para montar, pois não consegui mas hotel nem pousada nem motel, o evento é grande e eu tinha decidido ir mesmo acampando, e fiz a cabeça da minha companheira para acampar, coisa que ela nunca tinha experimentado. Bom, chegamos a cidade de Paulo Afonso já era sábado, meia noite e quinze. O Telos trabalhava no Clube do Jipe, local que fora gentilmente cedido para as pessoas armarem suas barracas. Não era um clube de camping, mas tinha espaço suficiente. Lá já tinham varias barracas, pessoal de Mossoró RN, de Souza PB e mais outras. Armamos a barraca e fomos até o evento de carro, a moto ficou ao lado da barraca que eu inaugurara.

Sábado de manha, 09:00hs o João Flor chega com uma chupeta e tentamos ligar a moto, ela ainda não queria nada com a vida, não acendia nada no painel, nem tão pouco o motor chegara a p pensar em funcionar. Levamos ao mecânico da cidade indicado pelo pessoal do MC Cavalo Doido, que são os mesmo do evento. Desde já agradeço a hospitalidade e tamanha organização do evento. Ao chegar na oficina, o Helinho passa a bola para o seu sobrinho cuidar da moto. E que profissional ele viu, menino novo, seus 17 a 19 anos de idade. Contei para ele o que aconteceu e ele já de cara, abriu o compartimento onde fica o compressor da buzina, aquela bolha lateral, de um lado filtro de ar e do outro como é vazio o compressor. Desligou os fios do mesmo, colocou uma bateria de carro, tocou e a moto???? Vrummmmmmm vrummmmmmm. Havia um sorriso na minha face, parecia que o mundo acabara de ser descoberto. Só em saber que o problema tinha sido resolvido. E ele me falou, passa aqui as 13:00hs que eu vou dar uma carga na bateria. De lá fui com o Telos para uma prainha, comer uma tilapia e um tucunaré, peixes de água doce que dificilmente encontro e por morar em Noronha só como de água salgada. Nem vou contar o que houve nesse episodio do peixe, a não ser que vocês peçam ao redator para liberar.

                   Às 13:40 Hs fui à oficina, a bateria não prestava mais, não pegou carga, e o Joao Flor me vendeu uma semi-nova. O preço do serviço foi 50,00 R$, paguei rindo. E a explicação final: A buzina não tinha um fusível que custa menos que um real, como o relé entrou em curto, em seguida queimou o geral da moto. Até pensamos em ver o fusível geral na estrada, mas nenhum de nós sabíamos onde era.

Moral da História

 

Sempre leia o manual da moto várias vezes.

Sempre tenha fusíveis de reserva.

Coloque fusíveis separados para cada coisa.

 

Ps. Comprei essa moto em Lauro de Freitas em setembro de 2008 já com a buzina instalada.

 

Muito grato a todos envolvidos na historia.