Não costumo falar de Noronha, eu falo em Noronha, porque nasci lá, falo nasci não pela biologia do ser humano, mas nasci politicamente, artisticamente, socialmente, humildemente e outros “mentes” da nossas mentes. Venho há anos realizando meu oficio de cantar e compor. E o destino me colocou como único artista de uma comunidade que canta a comunidade. É claro que não agrado a todos, as vezes nem agrado a mim mesmo. Mas eu não tomo pílulas anti nada, não me traio e sou obrigado por uma força que exerce em mim, e muitas vezes sem minha consciência, algo que deve ser dito para todos, inclusive para mim. Não, não agrado a todos. Temos que ser flexível na vida e não volúvel, flexível por mudar quando necessário for, e não mudar por qualquer coisa, isto seria ser volúvel. A ilha mudou, os valores mudaram e não podemos ficar como agua em um copo que não transborda, temos que transbordar, temos que ser algo a mais, temos que não nos permitir a conformidade, como a agua no copo fica conformada. Se tudo esta muito bom, algo precisa ser feito. Temos que ter ambição e não ganância. A ilha não pode deixar a ganância criar forças, a ganância é fazer pra si a qualquer custo, a ambição é fazer mais e melhor. Não podemos deixar isolar nossos propósitos de sociedade, “Isolar” que vem da palavra Isla, que gerou a palavra “Ilha” somos ilhados, somos isolados, aprisionado, e isso é claro em todos que vivem a ilha e não quem vive na ilha. Temos que nos unir, se é que seja possível ainda.